Friday, January 26, 2007

Corredor quadrado


Era uma casa com três quartos e todas as portas se voltavam para um quadrado da onde vinha a porta da cozinha do banheiro e da sala, portanto seis aberturas, o meu quarto ficava de frente para o banheiro. Então justamente tinha um quarto só meu e minha solidão da noite, que via vultos de uma cortina jogada sobre a porta entre aberta e que muitas vezes parecia uma pessoa debruçada a espreitar o sono de uma infante corajosa, que sabia ir ao banheiro no meio da noite e eu voltava correndo pra cama quentinha depois desta escapulida excursão ao banheiro que pra mim não era tão perto, pois tinha que dar mais de quinze passos , de pernas não muito longas nesta época tão criança.
Tenho lido bastante sobre a solidão ultimamente e eu busco isto em meu entorno, pois sempre tive uma vida cheia de viventes queridos em minha volta, mas é muito boa a solidão para a produção de pensamentos e estes jorrarem por um teclado ouvindo um som de palavras explodindo no meu cérebro que voam em meio aos impulsos de censura de toda esta carga que levamos. Não posso me deixar levar por nada que interrompa estes meus arroubos de escritora sem ligar a mínima para as possíveis criticas dos meus íntimos que poderão ler e não entender nada, desde já deixo explícito, nu e cru as vontades adormecidas de muito tempo um tempo que sempre volta desde que a gente tenha vontade de faze-lo. Caminhar pé após pé até cansar e dar voltas e mais voltas para poder dizer uma palavra de amor de carinho seria simples, não fosse todos os pudores que carrego dentro do meu peito.Descrever os dias em volta das pessoas queridas seria ter de dizer pormenores talvez doloridos.Ouvindo uma música do Júpiter- Down Myth Girl- que ele fez pra Bica fica muito emocionante, não deixar de sentir saudade, de falar ou de apenas olhar e rir juntas...

Tuesday, January 16, 2007

À espera de um Churrasco



Ver, assistir, presenciar, interagir ao churrasco do vizinho, quase tendo o espetáculo de vê-lo servir os convidados da casa, podendo sentir (em recordação) o gosto de uma costela, escorrendo aquela água na boca, aquele instante, “já vou saborear”.O espeto maravilhoso de costela sendo tirado com cuidado da churrasqueira que começou a fumegar lá pelas dez da manhã já fazendo uma fumaça quase insuportável ao meu olfato.Esse cara tem uma mania de começar o fogo com lenha, e depois acrescentar o carvão. Esta fumaça da lenha vai entrando pela janela do meu banheiro e depois pelas janelas da minha narina, dando-me uma alergia misturada com dor que me deixa meio neurótica.De vez em quando dou uma espiada para ver como vai o meu aproximado churrasco.
O gosto amargo de uma recordação cheia de saudade, que na memória vai se diluindo, quando já não é mais amiúde.
Porque as pessoas ficam tristes, porque por segundos muda tudo, a cor do dia, a clareza das palavras entre as pessoas, temos que perceber instantes antes de acontecer que vai desenrolar uma tristeza, por alguma coisa dita ou não dita.
Mas ai passou alguns dias e surgiu o momento para comermos o nosso churra tão esperado por nós.Acabou sendo num dia muito agitado e com todos com muita pressa não só de comer, mas de fazer coisas após o churrasco, o que levou a nossa ocasião ficar sobre suspensão parece que não comemos e ficou no ar aquele gosto de quero mais.
Estou escrevendo aqui e já é um outro domingo e nosso vizinho começou novamente a fazer aquele fogo na churrasqueira daquela maneira, com cheiro de lenha entrando pelas janelas.
Só que desta vez estamos prevenidos, sim estamos prontos pra começar o nosso churrasco e logo saboreá-lo com todo o prazer de uma degustação saudosa e também com todo o tempo do mundo.
P S: Aguardo ilustração do Artista CATAFESTO