Friday, October 20, 2006

Um rosto ao meu lado



Um rosto que estava ali ao meu lado, quando olhei, e por instantes, vi e pude perceber que aquela menina de olhos fechados com o rosto vincado pela vida, tão jovem e bonita, tão esperançosa de tudo que a vida podia ainda lhe proporcionar, sonhadoramente postada ali pedindo em uma prece, alguma coisa, que a deixaria mais feliz. Mais uma vez tive a oportunidade de observar de fora, ou melhor, quase que de outra dimensão, para aquela cena e escrevendo aqui neste momento ela vem novamente com toda as sua profunda beleza daquele tempo tão nosso, e assim foi passando a tarde daquele dia.
E foi num outro começo de tarde, quase que numa fúria de vida pela vida, saí caminhando rua a fora, como se quisesse fugir para algum lugar sem parar e sem rumo, era bom aquele caminhar quase sem conhecer aquelas árvores e calçadas, fui me distanciando do meu ponto de partida, indo na direção de uma felicidade que naquele momento me era cara, eu tinha fome de verdade, vontade de comer coisas doces, mas também tinha fome de escrever porque a cabeça era um turbilhão de pensamentos e vinha um pensamento toda hora, que tinha lido pela manhã,”A única pessoa que acompanha você a vida toda é você mesmo”.
E foi com esta frase que continuava a minha jornada, eu tinha tempo ainda para continuar minhas evoluções das loucuras da mente quando se tem aquela fome de escrever.
E pensei em pessoas que não conseguiam colocar um ponto fixo em suas vidas, de tal maneira que estariam sempre a dar voltas como se estivessem num carrossel.
Às vezes o coração dói, de alegria, de rir tanto, e dói de cansar por uma causa sem glória, mas a minha causa tinha um fim e eu deveria caminhar ainda mais umas oito quadras até chegar ao meu destino e pelo caminho foi aliviando - me essas dores todas, para chegar lá no meu destino e tirar quem sabe mais um cartãozinho da minha caixa de contentamento.Sim eu tenho uma caixa de cartões de contentamento, para cada dia, sentada pela manhã com a minha xícara de café na mão, olhando para a mesa posta os biscoitos de água e sal a luz que entra pela janela bem suave, começo a abrir a caixa que esta na minha mente e lentamente vou escolhendo o meu cartão daquele dia, e hoje talvez tenha sido uma manhã menos ensolarada e tenha me distraído na hora da escolha.

Sunday, October 08, 2006

Dias incomuns


Nesta minha tentativa de dizer e pensar em palavras os meus anseios do cotidiano em minha volta e da minha alma, me tornou uma pessoa mais ainda observadora.
E fico horas anotando em meus pensamentos os detalhes do dia que passou, às vezes rápido e cheio de pessoas que interviram de uma maneira agradável no dia que parecia ao amanhecer igual a qualquer outro da semana.Pessoas que aparecem cheias de outras emoções, e às vezes transbordando suas inquietações e fazendo com que carregamos estas, em uma bandeja, expondo toda a sua vida ali para que possamos observar e dispor sobre aquelas queixas ou talvez contentamento, e assim vou tentando aliviar as tensões de todos que me rodeiam.
Sem esperar nada em troca, fico me submetendo e também me deixando à isto, em levar com brilho e leveza estes momentos que acabo adorando, que enche o meu dia de motivos ou idéias sobre nós os seres vivos desta terra.
E a chegada do primeiro se faz com expectativas de novidades e logo a do segundo mais ainda, então vou fazer um café novinho, mas em seguida chega a terceira pessoa não esperada, e se forma de uma hora pra outra uma tarde especial e cheia de elementos, histórias, filosofias e risadas misturadas ao nosso trabalho diário, que não para, pois é um dia de semana comum, e a sala por algumas horas fica cheia de pessoas e fragmentos de cada um.
Que existência mais rica esta da convivência humana, este pequeno momento em que cada um sentado com sua xícara de café, outro com cigarro entre os dedos, alguém com uma xícara de chá e os olhares cruzando o meio da conversa sem querer dizer nada, só observar para depois escrever este pequeno relato de um dia qualquer na minha casa, que às vezes sofre de um silêncio e por vezes é invadida, que eu poderia definir por, queridas pessoas surpresas...