Saturday, November 11, 2006

A medida do tempo


Espera um pouco, pois já volto, acho que daqui uns dez anos mais ou menos.
Esta sensação que temos de que já voltamos e que vai dar tempo de recomeçar, ou começar algo novo, onde queremos concentrar nossas forças e concluir os afazeres.Tenho uma certa resistência de que todos tenham esta impressão de tempo, de pensar que, logo ali, a pouco mais de três anos estávamos tão próximos do futuro de agora.
E que se fossemos medir o tempo por década, tudo seria tão efêmero, e ao mesmo tempo estanque, tendo em vista que, para cada um, o tempo passaria com seus acontecimentos particulares e com seus devidos pesos.
Olhando um pouco para traz, vem na tela da lembrança, as conversas de verão com meus tios e meus pais, todos sentados à sombra dos guarda-sóis, num esfregar de pés na areia, para refletir um pouquinho antes de abrir a boca ,e contar alguma coisa para todos. E todos sempre prontos para escutar, aqueles ali, tão queridos, que por vezes pareciam invencíveis pelo tempo, iam nos contando historinhas da nossa numerosa família de verão.
Então será preciso não deixar nada para traz, querer mais que depressa atravessar o tempo numa correria louca para ocupar completamente por inteiro uma “longa” década, fazer todos os exames de rotina, fazer mil coisas, mas também ficar parado olhando o mar por horas a fio...e isto é um prazer único.Olhar para aquela praia já com as cores de fim da tarde com seus guarda-sóis vazios. E deixar os olhos correrem pelas ondas num vai e vem de pensamentos.
A cada década, tomamos muitas decisões sobre a vida, do que levaremos para os próximos dez anos.É um pouco perturbador rotular um espaço de tempo, pois a vida pode ser vivida de uma forma linear, mas com as perdas que vamos tendo pelo caminho, vamos fazendo pequenas marcas. Eu gosto de guiar as minhas estações, dentro de cada ano, pelas sombras das árvores e pelas suas copas cheias de folhas verdes ou secas e com isto vão passando e chegando cada estação com suas luzes e lembranças.
Com a proximidade do verão rondando a nossa memória, volto lá na praia da Cal, naquela roda de cadeiras, com as conversas sendo levadas pelos ventos do nordestão.E o que nos resta de tempo por hora? Acho que já volto, daqui uns dez anos talvez...

2 Comments:

At 12:39 PM, Anonymous Anonymous said...

bah que lindo

 
At 8:21 PM, Blogger prux, f. r. said...

Bah, eu andei refletindo sobre o tema que tu abordaste nesse último texto...
Sei que é piegas e sei que tu podes pensar que é um drama da juventude: mas por uns instantes, me sinto jovem demais para investir em algo e velho demais para ousar em outros.
Foi isso que pensei dia desses - claro que quem estava perto, e me ouviu divagar sobre o tema, tratou de censurar imediatamente o meu devaneio.
Mas, não era bem sobre esse tipo de tempo que tu escrevias, mas me fez retomar ao tipo de tempo que eu refletia.
Gosto muito de ler o que tu escreves - embora eu sinta uma ponta de tristeza nas recordações e alguns gritos e revoltas controladas!
Sempre que posso, dou mais uma volta e venho parar aqui!
Beijo

 

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