Chá das primas

Acho que todas esperávamos com ansiedade, aquele sábado que nos reuniríamos, agora mais perto do dia especial a inquietação aumentava na esperança que tudo desse certo e que todas pudessem comparecer, já sabendo que uma de nós não viria mesmo. Acho que lá na casa da nossa querida anfitriã as coisas andavam muito mais agitadas e eufóricas de uma expectativa cheia de atividades e arrumações com surpresas avassaladoras.
Arrumar os cabelos, procurar no armário a melhor roupa para aquela ocasião tão especial. E já tinha passado um ano do último encontro estaríamos mais velhas, cheias de novidades e bagagens alegres e sofridas no coração, sem deixar transbordar, tentar disfarçar, pois era dia de alegria e o reencontro de primas e tias tão queridas fazia pairar no ar uma vibração de harmonia e leveza e logo estaríamos todas tagarelando como loucas sem tempo para comer aquelas maravilhas que ali estavam na mesa arrumada com tanto capricho e requinte pela nossa tia.
A tarde passou tão rápido e emocionante de conversas entrelaçadas e muitas fotos.
E a minha mente repassando tudo isto na manhã seguinte, cada palavra dita e respondida, deveria ter falado mais, ou melhor, não falar tanto, observar mais, ser mais acolhedora das idéias alheias, acolher todas mais para perto uma das outras e principalmente olhar pacientemente, com jovialidade para as nossas tias e mães já idosas, mas tão cheias de vida pra compartilhar.

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