
Amanhecer
Quando abro os meus olhos pela manhã pela primeira vez, sinto uma vontade de continuar com eles fechados, já na segunda vez, consigo alongar o olhar pelo quarto e prever pela luminosidade a que hora estamos deste novo amanhecer, se o que me espera do dia me arrepia, fecho-os rapidamente para poder sonhar mais um pouquinho do mundo faz de conta dos sonhos, a cabeça vira para o outro lado porque o pescoço já cansou e pede uma oportunidade de alongamento que por enquanto não dou, pois preciso continuar com os olhos mais um pouco fechados e dar continuidade àquela luz que entra pelo cantinho dos meus olhos e parece que faz desviar os sentidos para um lugar entre o céu e a terra, um lugar sem volume onde só há brilho e cores, que eu consigo mentalizar e deixar o meu corpo ser movido por esta janela infinita de beleza e brilho que me traz tanta paz.
Mas finalmente abro os olhos com toda a atenção, olhando cada detalhe em minha volta, montando todo o quebra cabeça do novo dia, vou começar o alongamento do corpo para a coluna não doer, sem antes passar os pés bem devagarzinho pela perna do meu conivente de amanhecer e sentir a sua receptividade para o dia iniciar mais prometedor para que a ordem das coisas siga dentro dos meus critérios de pura felicidade.
Não deixando, portanto que nada interfira neste sincronismo cósmico para que o dia flua tranqüilo pelo menos até o café da manhã, e que o “-bom dia” entre nós os convivas, seja amiúde para todos.
E isto tudo é como num passe de mágica, pois tudo passa muito rápido tão rápido como o crescimento dos nossos filhos, tão rápido como foram todas as manhãs, nestes anos todos, com eles pequeninos querendo um lugar quentinho na nossa cama, mas não tão rápido como são só as manhãs preguiçosas de domingo, lânguidas e pachorrentas para levantar só depois da corrida...
Levantar pé ante pé sem fazer barulho é muito bom !



