Monday, August 28, 2006


Amanhecer
Quando abro os meus olhos pela manhã pela primeira vez, sinto uma vontade de continuar com eles fechados, já na segunda vez, consigo alongar o olhar pelo quarto e prever pela luminosidade a que hora estamos deste novo amanhecer, se o que me espera do dia me arrepia, fecho-os rapidamente para poder sonhar mais um pouquinho do mundo faz de conta dos sonhos, a cabeça vira para o outro lado porque o pescoço já cansou e pede uma oportunidade de alongamento que por enquanto não dou, pois preciso continuar com os olhos mais um pouco fechados e dar continuidade àquela luz que entra pelo cantinho dos meus olhos e parece que faz desviar os sentidos para um lugar entre o céu e a terra, um lugar sem volume onde só há brilho e cores, que eu consigo mentalizar e deixar o meu corpo ser movido por esta janela infinita de beleza e brilho que me traz tanta paz.
Mas finalmente abro os olhos com toda a atenção, olhando cada detalhe em minha volta, montando todo o quebra cabeça do novo dia, vou começar o alongamento do corpo para a coluna não doer, sem antes passar os pés bem devagarzinho pela perna do meu conivente de amanhecer e sentir a sua receptividade para o dia iniciar mais prometedor para que a ordem das coisas siga dentro dos meus critérios de pura felicidade.
Não deixando, portanto que nada interfira neste sincronismo cósmico para que o dia flua tranqüilo pelo menos até o café da manhã, e que o “-bom dia” entre nós os convivas, seja amiúde para todos.
E isto tudo é como num passe de mágica, pois tudo passa muito rápido tão rápido como o crescimento dos nossos filhos, tão rápido como foram todas as manhãs, nestes anos todos, com eles pequeninos querendo um lugar quentinho na nossa cama, mas não tão rápido como são só as manhãs preguiçosas de domingo, lânguidas e pachorrentas para levantar só depois da corrida...
Levantar pé ante pé sem fazer barulho é muito bom !

Tuesday, August 22, 2006

Busca frenética


Há infinitas maneiras de se mostrar para os outros em nossa volta, o que realmente somos. Só o indivíduo terá a sua ótica da vida, a que ele vê. A pessoa pode mostrar-se num olhar, querer te envolver num sorriso, num gesto de atenção, num disfarçar de descontrole, até levar ao máximo de vontade que tu a entenda de alguma forma e entender tu pode, mas jamais olhará o mesmo olhar que ela sobre todas as coisas.
Este olhar pode te trazer uma saudação lá de longe, de alguém que esta sentada num banco entre as árvores, claro que, os olhos irão se encontrar naquele instante, só que o meu foco será de resposta àquela saudação, nos estaremos olhando o mesmo jardim a mesma manhã, as mesmas pessoas passando e os mesmos sons, eu do meu olhar ele do olhar dele.
E mais emoção ainda é quando estas pessoas fogem e num cruzar de olhares, numa entrega de quase o mesmo quadro, e se forem descrever o azul do céu será outro o verde da grama também será outro, para cada um, um só olhar.
O que faz o pensamento voar nestes dias tão frios, que acaba deixando a mente mais introspectiva mais filosófica sobre pequenos detalhes do nosso cotidiano, que vai e vem nesta busca frenética da existência, de saborear, de arrepiar, de suar até a raiz dos cabelos por mais uma volta...

Saturday, August 19, 2006

Noite fria de agosto


Juro que morei num castelo e as minhas filhas riem de mim, acho que dormia em uma cama muito grande com espaldar alto e dossel, em um quarto de preferência da ala norte do castelo. Bem, esta cama, além de linda, tinha lençóis de puro algodão bem branquinhos e muito leves, assim como o cobertor de pura lã e também um edredom de pena de ganso e sobre tudo isto uma pequena manta jogada sobre os pés para fazer um pequeno peso.
Tudo isto faz parte do meu ideal de cama adorável, para uma boa noite muito fria.
Sem saber se vou conseguir dormir direito vou remexendo e virando na cama que esta muito pesada, não foi arrumada com atenção, talvez levantasse e tentaria arruma-la melhor desdobrando um edredom que esta pesando sobre os meus ombros, mas continuo tentando uma acomodação infinita sem resultado, com medo de passar frio ao levantar e deixando o tempo passar e os pensamentos irem para longe para permitir que o sono vença o edredom, e mesmo assim vem novamente à minha mente aquela cama perfeita, tenho que ser forte e levantar passar um pouquinho de frio, puxar o edredom mais pesado mais para os pés e deixar perto da dobra do lençol só o mais leve. Que cansaço acho que vou levantar e acabar com esta angustia toda e pronto.
Não fosse esta minha mania de achar que vivi num castelo, talvez não fosse tão impertinente com a minha cama tão quentinha e boa, que leva os meus sonos e sonhos por lugares mágicos a muitas e muitas noites...

Tuesday, August 15, 2006

Mais uma volta


Sempre penso na minha concentra- ção que vai se perdendo pelo caminho, tento fixar um pensamento só, uma palavra, manter o corpo ereto, encolher a barriga, e assim vou conseguindo por alguns segundos e quando me vejo,já estou caminhando com a coluna curvada a barriga solta e o cérebro louco dando voltas e mais voltas, pela minha imaginação de pura liberdade de só ir, livre como os sabiás, que já começaram a cantar timidamente neste começo de agosto.Então vou por um trecho do meu destino,de chão batido,com algumas raizes salientes, nos dias mais quentes é fresquinho e nos dias frios chega ser lúgubre e sombrio, mas é por um espaço pequeno de tempo que tenho este luxo de me achar numa floresta sem ninguem a minha volta,quando de repente começo a ouvir passos logo atras de mim, as vezes de um caminhante as vezes de um corredor,levo um pequeno susto, pois eu estava lá na floresta,então passam por mim... e o pensamento me leva novamente aos meus passos soltos pelas idéias de como resolver problemas tão existencias desta vida , e vou caminhando perdendo o ritmo numa viagem sem fim quando passa por mim aquela pessoa que passou lá no inicio da minha caminhada, sim é ela novamente, tenho que me concentrar, andar ereta encolher a barriga manter a respiração e ouvir os sabias...