Thursday, September 04, 2008

Gosto de café


Gosto de Café

Seguiram-se semanas, até poder sentar novamente aqui e deixar a cabeça solta pra colocar alguma coisa nestes teclados. Como é louco se sentir presa dentro do próprio corpo ou dentro do teu sistema de visualizar e dividir a vida como as pessoas que te rodeiam.E as lembranças voam pela cabeça presa neste espaço de tempo que resta, entre um sumido de tudo e de todos dirigindo meu carro sozinha e sem som, pois ficamos soltos para voar e desrespeitar as regras das lembranças.

Chegar na casa da minha avó Maria à noite, porque meu pai gostava de visitá-la, nesta hora, pra conversar com meu avô, e tinha aquele cheirinho no ar de pós jantar.

Mas hoje especialmente hoje, algo único talvez até singular estava o sabor do meu café com leite pela manhã, lendo Nietzsche - “Uma perspectiva cósmica sempre atenua a tragédia”, me fez pensar nestes sabores e aromas, maneira de prepara-los que a minha avó fazia, as vezes era o vô Gaspar lá na praia, que preparava o café, e hoje tinha isto, este gosto de café feito por eles .

Acho que minhas lembranças são assim conforme vai a vida me levando para além da razão das minhas queixas, mas algo estava no ar. Ontem foi um dia muito especial, e de desenrolar carretéis que mais pareciam linhas de pescador do meu tio Calu, mas foi um dia de muitas perspectivas ótimas e acho que eles andavam por aqui soprando bolhas de aromas ou simplesmente olhando os acontecimentos e me envolvendo numa positividade impar.

Estes nossos queridos, que com as semanas passando voando por entre os meses, paramos poucos pra lembra-los, nos deixaram tanta coisas boas de união e de luta pela vida.

Mas foi só um aroma muito gostoso de café, apenas isto, mas muita saudade, e uma visão então cósmica das coisas!

Thursday, August 07, 2008

Felicidade


Acho que a felicidade é tão simples.
“Assim escolhi! O espírito de um homem se constrói a partir de suas escolhas!”
Nietzsche
Lendo este filosofo tão cheio de idéias, tão sofrido pela saúde delicada, enche meus pensamentos de curvas e labirintos por onde tenho andado nestes últimos meses.
Então a vida vai levando as pessoas e a nós mesmos, por assim dizer, a reagir e retroceder em gestos ou palavras não ditas, pra alguns é mais fácil ser introspectivos, mas eu sempre acabo por entregar o jogo seja em palavras ou agindo de maneira muitas vezes intempestiva.
E esta frase do Nietzsche, diz exatamente isto, ou seja, as tuas escolhas, seriam uma maneira de dominar o teu corpo, ou os segredos que nele, nos carregamos.
E nestes últimos tempos tenho me dedicado mais ao meu intelecto, lendo muito e vendo muitos filmes, mas, as escolhas são minhas e de mais ninguém, portanto cabe a mim só a mim, deixar a preguiça também de lado e voltar a escrever no meu Blog.
Por hora , como gosta de dizer a Bica, vou deixando isto...
Antes, porém mais uma frase do Nietzsche, para combinar com a imagem postada.
“É preciso ter caos e frenesi dentro de si para dar à luz uma estrela dançante”.

Wednesday, August 29, 2007

Caminhos do pensamento


Foi um fim de outono de muitos acontecimentos.Um destes não poderia deixar de mencionar o nascimento do meu sobrinho o João Straatmann, tão esperado e almejado pelos pais e pela família. Veio tão cheio de graça e quietude que nos encantou a todos com seu jeitinho meigo, mas decidido em seus pequenos momentos de ansiar, pelo abastecimento do leite materno. E assim vem nos enchendo de alegria a sua carinha com novas expressões de risos e pequenos sons de falas, ainda não identificadas, também já reconhece algumas pessoas e isto é emocionante.Já que moram tão longe, a saudade dele é grande!
A minha outra saudade, agora ta bem pertinho de mim, na mesma cidade, mas, lá na casa dela, ou hotel dele, estão de passagem por aqui, vamos curtindo enquanto da.
E que sentido daríamos pra vida sem esta bendita saudade, que passa por todos nós.
Onde buscamos às vezes força para um dia mais difícil e menos próspero. Agora já quase fim de um inverno muito rigoroso de muitos dias de frio intenso, com o João chegando aqui pela manhã, com várias camadas de roupas, já mais grandinho, quatro meses, os dias dele aqui em casa são só alegria.
A leveza da alma em caminhadas pelas ruas do meu bairro, me deixam com o pensamento solto e livre para pequenas idéias de várias teorias, e pensando e pensando e pensando, vamos pra muito longe fazendo elucubrações, às vezes vem Nietzsche-.
-Todas as coisas que duram muito tempo de tal modo se impregnam aos poucos de razão que a origem que tinham da desrazão se torna inverossímil.
A história exata de uma origem não é quase sempre sentida como paradoxal e sacrílega? O bom historiador não está, no fundo, incessantemente em contradição com seu meio?-(Nietzsche, Aurora, pág.21).
E antes de mais nada, estou apaixonada por Nietzsche!

PS: Foto de CATAFESTO

Wednesday, March 14, 2007

No Fundo da alma





Estamos todos redondamente enganados em controlar as ansiedades das pessoas em volta para que todos fiquem felizes e satisfeitos no seu centro maior e em equilíbrio para sentirem-se soltas para vôos nas calçadas de suas vidinhas.
Lá no fundo da alma, mas muito mais no fundo ainda da alma, me escondo para poder deixar livre estes caminhos percorridos, por entre passos incertos de algumas pessoas frágeis e puras e por outras completamente perdidas em situações cotidianas em um fundo do poço da criatura humana, pedem então um pouco de ar que ainda me resta lá deste lugar tão escondido e camuflado e mimetizado da minha alma.
Ah! A saudade do caminho sinuoso dos meus passeios ao entardecer, primeiro enfrentando algumas dezenas de pessoas que passeavam com a mesma intenção, logo adiante começava a sombra do morro e o ar marítimo já refrescava a minha pele queimada do sol da manhã, e os passos iam aumentando a força em virtude da subida da pequena colina, que ia em direção a praia do meio, ia ficando cada vez mais estreito com um pequeno precipício a direita e logo em seguida uma enorme pedra fazia uma parede e a passagem se restringia para dois no máximo e mais uma decida e contornava vários arbustos de espinhos formando um pequeno túnel sem chegar a fechar em cima, e depois uma longa curva e novamente a calçada ficava larga e o mar ali exposto e lindo para um belo devaneio enquanto os meus pés seguiam aquela marcha como tantos outros .
Então ficava dizendo para o meu cérebro, não esquece este visual, guarda nesta memória, todos os sintomas a tua volta, passavam por mim risos infantis, senhoras falantes, roncos de chimarrão, o aroma do mar ali tranqüilo sempre lindo e me embalando para bem longe, onde talvez quisesse estar neste momento, mas gosto deste teclado para poder dizer e dizer os meus escondidos tão bem guardados e saber que jamais vou abandonar meus pequenos...

Friday, January 26, 2007

Corredor quadrado


Era uma casa com três quartos e todas as portas se voltavam para um quadrado da onde vinha a porta da cozinha do banheiro e da sala, portanto seis aberturas, o meu quarto ficava de frente para o banheiro. Então justamente tinha um quarto só meu e minha solidão da noite, que via vultos de uma cortina jogada sobre a porta entre aberta e que muitas vezes parecia uma pessoa debruçada a espreitar o sono de uma infante corajosa, que sabia ir ao banheiro no meio da noite e eu voltava correndo pra cama quentinha depois desta escapulida excursão ao banheiro que pra mim não era tão perto, pois tinha que dar mais de quinze passos , de pernas não muito longas nesta época tão criança.
Tenho lido bastante sobre a solidão ultimamente e eu busco isto em meu entorno, pois sempre tive uma vida cheia de viventes queridos em minha volta, mas é muito boa a solidão para a produção de pensamentos e estes jorrarem por um teclado ouvindo um som de palavras explodindo no meu cérebro que voam em meio aos impulsos de censura de toda esta carga que levamos. Não posso me deixar levar por nada que interrompa estes meus arroubos de escritora sem ligar a mínima para as possíveis criticas dos meus íntimos que poderão ler e não entender nada, desde já deixo explícito, nu e cru as vontades adormecidas de muito tempo um tempo que sempre volta desde que a gente tenha vontade de faze-lo. Caminhar pé após pé até cansar e dar voltas e mais voltas para poder dizer uma palavra de amor de carinho seria simples, não fosse todos os pudores que carrego dentro do meu peito.Descrever os dias em volta das pessoas queridas seria ter de dizer pormenores talvez doloridos.Ouvindo uma música do Júpiter- Down Myth Girl- que ele fez pra Bica fica muito emocionante, não deixar de sentir saudade, de falar ou de apenas olhar e rir juntas...

Tuesday, January 16, 2007

À espera de um Churrasco



Ver, assistir, presenciar, interagir ao churrasco do vizinho, quase tendo o espetáculo de vê-lo servir os convidados da casa, podendo sentir (em recordação) o gosto de uma costela, escorrendo aquela água na boca, aquele instante, “já vou saborear”.O espeto maravilhoso de costela sendo tirado com cuidado da churrasqueira que começou a fumegar lá pelas dez da manhã já fazendo uma fumaça quase insuportável ao meu olfato.Esse cara tem uma mania de começar o fogo com lenha, e depois acrescentar o carvão. Esta fumaça da lenha vai entrando pela janela do meu banheiro e depois pelas janelas da minha narina, dando-me uma alergia misturada com dor que me deixa meio neurótica.De vez em quando dou uma espiada para ver como vai o meu aproximado churrasco.
O gosto amargo de uma recordação cheia de saudade, que na memória vai se diluindo, quando já não é mais amiúde.
Porque as pessoas ficam tristes, porque por segundos muda tudo, a cor do dia, a clareza das palavras entre as pessoas, temos que perceber instantes antes de acontecer que vai desenrolar uma tristeza, por alguma coisa dita ou não dita.
Mas ai passou alguns dias e surgiu o momento para comermos o nosso churra tão esperado por nós.Acabou sendo num dia muito agitado e com todos com muita pressa não só de comer, mas de fazer coisas após o churrasco, o que levou a nossa ocasião ficar sobre suspensão parece que não comemos e ficou no ar aquele gosto de quero mais.
Estou escrevendo aqui e já é um outro domingo e nosso vizinho começou novamente a fazer aquele fogo na churrasqueira daquela maneira, com cheiro de lenha entrando pelas janelas.
Só que desta vez estamos prevenidos, sim estamos prontos pra começar o nosso churrasco e logo saboreá-lo com todo o prazer de uma degustação saudosa e também com todo o tempo do mundo.
P S: Aguardo ilustração do Artista CATAFESTO

Sunday, December 10, 2006

Árvore de Natal


Sempre em todos os dezembro da minha vida, iniciei-os com a minha árvore de natal montada, enfeitada e iluminada na sala.E sempre falei muito que queria conservar esta tradição da minha família, mantida pelos meus pais, mais pela família do meu pai, mais precisamente pela minha avó Maria “Schatz”.
Quero reunir forças para ir buscar as caixas onde guardo os enfeites, pegar a árvore enrolada em plástico bolha.
Abrindo cada caixa de enfeites, embarco numa viagem de sonhos e risadas, lembrando os meus filhos que sempre me acharam uma exagerada querendo a cada ano comprar enfeites e bolas novas e mais luzinhas.
Isto vem de muito tempo atrás, quando meu pai lá por outubro, já começava a trazer de suas viagens, algumas pedrinhas diferentes que ele encontrava às vezes na estrada para colocar no presépio, que montaria no inicio de dezembro e ele gostava de contar que a minha avó Maria também começava cedo a organizar a casa para o natal, inclusive que o presépio que ela fazia tinha um laguinho com água corrente.
Tudo isto faz eu sentir esta vontade de que a minha casa seja assim no natal, mas este ano ta diferente...
Muitas coisas aconteceram neste ano de 2006, e preciso de um empurrão para começar a montar a minha árvore.
Talvez eu tenha que começar por abrir as caixas e coloca-las assim, abertas me olhando, quase pedindo para que eu comece a pendurar os enfeites.
E é muito bom quando cada um que vai chegando do trabalho ou da aula e faz: Oh! Já ta montada a árvore, que legal!
Neste ano vai faltar a Bibiana, mas vou mandar uma foto pra ela e talvez ela faça: OH! Pelo msn, e mesmo assim vai ser muito bom.
A saudade é muito grande e boa de sentir de uma pessoa amada e filha tão querida.
Acho que este é o empurrão.